BASQUETE MASCULINO DECADA DE 80

 

«BOLETA» É CRAQUE DE BASQUETE 

É a segunda vez que Sergio Silva, o "Boleta", do nosso basquete, é entrevistado pela Revista do Botafogo. A primeira vez, foi em novembro de 1976, quando afirmamos que estávamos diante da maior revelação carioca surgida nos dois últimos anos. E esse vaticínio se confirmou inteiramente. Hoje, com 20 anos de idade, é um dos maiores jogadores de basquete da cidade. Convocado para seleção de novos e principal. Estudante, agora para vestibular de Ciências Contábeis, nunca deixou o Botafogo. Esteve apenas emprestado, por três meses, ao Benfica de Portugal, levando a equipe ao 3º lugar no Campeonato Português. Sondado por diversos clubes para se transferir (Vasco, Flamengo, Jequiá e Municipal), permaneceu no seu clube de coração, onde iniciou sua carreira, em 1975, no infanto, depois no juvenil, aspirante e principal. Com 1,92 de altura, sua posição em campo é de ala com características ofensivas. Com uma média de 23 pontos por partida, é hoje líder da equipe, assumindo a posição de capitão, apos a saída do Ivan, para Salvador. Caráter firme e exemplar é estimado por todos os companheiros. Tem apenas uma bolsa de estudos dada pelo Clube. "Boleta" é contra o profissionalismo nos clubes (amadorismo marrom). É favorável, sim, ao patrocínio de empresas para ajudar o atleta amador através dos clubes. Exemplo deste modelo: Itália, Espanha, Portugal, onde o basquete é destaque mundial. Sobre o nosso basquete, acha que falta renovação, com, maior aproveitamento dos jogadores jovens e de estatura elevada. O basquete no Botafogo é prestigiado, dentro das nossas possibilidades, pelo presidente Charles Borer, eis que é seu esporte predileto há muitos anos, como técnico muitas vezes campeão.

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 238 de maio de 1980
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Acervo particulra Angelo Antonio Seraphini
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 239 de outubro de 1980
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Quando aceitei vir ао Brasil não foi para me tornar importante. Não entendo de questões politicas, пеm gostaria de falar a respeito, apesar de querer o reatamento do Brasil соm meu pais. A vontade, num sofa do apartamento do Diretor de Basquete do Botafogo, Aurélio Tomassini, onde esta hospedado em compaпhia de Duboy (1m96 е 25 апоs), o pivo cubano Felix Marales (2m11 е 32 anos) não escondeu: — Estava interessado em vir para jogar e conhecer outras histórias, mas nada а respeito dе historia dо Brasil. Desde a chegada ao Brasil, па sexta- feira retrasada, os dois não рагагаm. Divididas entre cerca de quatro horas diárias de exercícios -- musculação e treinos соm bola — e passeios, dizem estar aproveitando uma realidade inédita, que pro vaca muitas e curiosas surpresas, соmо а visão de um voador pilotando sua asa- delta : 


Pelos céus! É um homem voando пuma asa! Como еlе faz para descer? — perguntou Morales. 

As histórias da iniciação dos dois no basquete também são curiosas. Considerados dos melhores jogadores do mundo, não gostavam do esporte quando соmeçaram. — Eu era motorista de um caminhão pipa em Matanzas, minha terra natal — conta Marales, e, соm 19 anos, tinha acabado de completar o serviço militar. Um senhor, cujo apelido era Yaio, mе perturbou para que ingressasse na Escola de Aperfeiçoameпto de Atletas (Espa). Era muito alto e magro e resolvi aceitar. La, mе ensinaram o que era um aro, uma bola de basquete. O treinamento, рогem, era muito cansativo. Então, resolvi fugir da escola, voltando para Matanzas. Novamente como motorista encontrei Yaio, que mе encheu a cabeça соm ideias de que eu me tornaria um bom e conhecido jogador. Aceitei voltar para a Espa, onde sai quase um ano depois para a seleção nacioпal, isto em 1973. 

— Eu comecei mais cedo — diz Duboy — aos 10 anos. Com preguiçava de ir a еducação fisica, que era Ionge de casa, resolvi me matricular na escolinha de basquete, ao lado. Depois do sacrifício inicial, tomei gosto, passando depois para a Escola de Iniciação Esportiva (EID) e a Espa. Dali, aos 19 апоs, cheguei A seleção nacional. 

Duboy se formou em Еducação Física, há seis meses, pelo Instituto Superior Co mandante Mаnuеl Fajardo — o melhor do país na especialidade --- mas não pretende parar de estudar. Quando voltar a Сuba -- no final de janeiro — iniciará o curso de jornalista, atividade que pretende exercer quando parar de jogar. 

Morales acredita que o estudo é fundamental para ajudar na conscientização das pessoas. E dá seu próprio ехеmрlо: 

Conclui o curso de desenho industrial de motores, uma de minhas paixões. Atualmente estava iniciando o de Educação Física e tive de trancar a matrícula por causa da viagem. 

Duboy considera difícil qualquer seleção — exceto Ëstados Unidos e União Soviética -- apostar na conquista de medalha no Мundial de Basquete. Para o jogador, há seleções muito parelhas, como Espanha, Cuba, Brasil, Itália, Iugoslávia e Tchecoslováquia — além de existirem outros fatores como a formação dos grupos iniciais, arbitragem, сопdições  climáticas e sorte que influenciam muito. Para os dois, na verdade, a maior ansiedade e реlа estreia no Botafogo, o que deveáa acontecer em um amistoso com o Flamengo, no dia 23. E existe apenas uma preocupação: сom as tabelas brasileiras (Duboy quebrou uma durante um treinamепtо no Botafogo). — Enterrar é bonito, аté sem se pendurar no aro. Aqui no Brasil, pendurar, nem pensar. As tabelas são frágeis como as da Iugoslávia. No ano passado, quando excursionava por lá соm а seleção de Cuba, uma caiu sobre meu ombro, cortando-o e ао braço direito também -- conta, exibindo as cicatrizes. 

Acervo particular Angelo Antonio Seraphini

Fonte: Jornal dos Sports de 10 de novembro de 1980

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Acervo particulrar Roberto Castro Barbosa
Fonte: Boletim Oficial do BFR nº 77 de dezembro de 1985
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Da esquerda para a direita, temos:
- Paulo Chupeta,
- Paulo Cesar,
-Aloísio,
- Lello,
- Pedrinho,
- Boleta,
-Tompson,
- Dubois( Cubano),
- Orelha,
- Fábio Pira,
- Ronaldão,
- Felix Morales (Cubano),
- Aurélio Tomassini ( Diretor),
- Otávio ( assistente técnico),
- Alberto Bial ( técnico )
Temporada 1985.
Escalação time de basquete adulto de 1985

Fonte: Arquivo pessoal ex-jogador de basquete Boleta.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

PREPARANDO O FUTURO 
No Campeonato Juvenil de 1987 o BOTAFOGO encerrou sua participação com um desempenho dos mais satisfatórios. Devemos ressaltar que, por motivos de reforma do nosso ginásio no Mourisco, foram muitas as dificuldades para treinar o time, que não jogou uma partida sequer em casa. A equipe disputou nos três turnos 23 jogos, vencendo 17 e perdendo 6. Nossa classificação final foi um brilhante 3º lugar. A equipe, treinada por Alberto Bial, contou com os seguintes atletas: Alexandre, Luiz, Ricardo, Álvaro, Paulo, Michel, Sérgio, Fábio, Marco, Cláudio Miguel, Ricardo, Mário e Antônio.

Acervo particular Roberto Castro Barbosa
Fonte: Boletim Oficial BFR ano 1 nº 2 de 1987
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BASQUETEBOL – CLINICA JÁ É UM SUCESSO 
Encontra-se em plena atividade a nossa escolinha de basquetebol para jovens de 9 a 16 anos, funcionando na sede Mourisco. Coordenada pelo professor norte-americano GEORGE THOMPSON, astro renomado do basquetebol brasileiro e internacional, vem tendo excelente acolhida não só da garotada Alvi-Negra, como de adeptos de outros Clubes, que vêem na nossa escolinha um trabalho sério e dirigido por pessoa que realmente entende e ama o BAS-QUETEBOL. THOMPSON nasceu em Chicago, Ilinois, U S A, em 1949, porém criado em Los Angeles, Califórnia, já aos 9 anos de idade iniciava no Basquetebol sua brilhante carreira com passagem por equipes como Jr. High School, High School John Muir, Arizona State U., Jr. College Pasadena City C., Cal Poly U., até chegar a Seleção Norte-Americana de Basquetebol. Em 1974, jogando pela Seleção Norte-Americana, Thompson veio ao Brasil quando encantou-se por nossa terra e resolveu fixar residência e prosseguir sua brilhante carreira. Com passagem pelo Flamengo, Fluminense, Vasco, América e BOTAFOGO (85/86), clube com o qual mais se identificou, Thompson foi Campeão Carioca de Basquetebol em 1974, 1975, 1979 e 1980 e Campeão do Torneio S. Paulo-Rio em 1980. Casado com a brasileira Carla, tem um filho de 3 anos, Yan, ambos botafoguenses. A Yan os primeiros ensinamentos já são ministrados na arte do basquetebol. 
Para Thompson o basquetebol deve ser praticado desde a infância, de modo a permitir um melhor aprimoramento das qualidades e correções de vícios e defeitos. Enfim, uma boa escolinha é fundamental. 
Pensando assim, foi que Thompson ao encerrar a carreira de jogador em dezembro de 1987, apesar dos vários e insistentes convites para continuar jogando, aceitou o desafio para coordenar o projeto "BOTAFOGO BASQUETEBOL-CLINICA" da Vice-Presidência de Desportos Terrestres do Clube, além de exercer o cargo de Supervisor da equipe de Basquetebol Adulto do BOTAFOGO F.R. 
A nossa escolinha conta com a colaboração de firmas como EVEREST — máquinas de gelo e bebedouros e a CETEL — Refrigeração LTDA., além de todo o corpo de funcionários do clube, ou seja, toda uma estrutura montada. Quanto às inscrições, elas podem ser feitas na sede do MOURISCO e, no ATO DA MATRÍCULA, o jovem atleta recebe inteiramente grátis sua camiseta de treinamento. 
Oito turmas de treinamento estão à disposição dos interessados, sendo quatro pela manhã e quatro à tarde. Para sócios temos preços especiais. Ligue para 295-3697 e obtenha com o Sr. Luiz Antônio maiores informações. E lembre-se: — "É DESDE CEDO QUE SE PREPARA O CRAQUE DE AMANHÃ:”

Acervo particular Roberto Castro Barbosa
Fonte: Boletim Oficial BFR ano 2 nº 5 de 1988
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